[O HOMEM]
Censurou-se no primeiro instante. Era demasiado lúgubre, mas não se importou. Sentiu-se bem, pela primeira vez, com um acontecimento funesto. Interpretou aquele momento como prazeroso, embora a morte tivesse sido o seu principal motivo, embriagou-se do seu cheiro doce e fresco.
Aturdido num turbilhão de pensamentos, aliviou-se. O barulho emudeceu. As pessoas fizeram-se na qualidade de estátuas. O ar congelou. A luz abrandou e o tempo fora interrompido, imortalizado. Tudo foi dissolvido pelo mais absurdo silêncio e invadido por lufadas de incenso fresco, doce e vivo. O ambiente que antes era caos fez-se na fugacidade do momento, insólito e estático, como se tudo fosse inanimado, exceto pela vida que sucumbiu e o homem que prazerosamente provou do seu gosto.
[A BORBOLETA]
Voava lindamente, esplendorosamente branca, cortando o ar, como remo que corta as águas
d'um rio translúcido, vagaroso... frouxo... A sua vivacidade intumesceu suas asas (branquíssimas como só as de borboletas podem ser) de sangue, e foi conduzida para o seu momento de resignação.
[A TRAGÉDIA]
A tragédia da borboleta embelezou a vida do homem, que no primeiro momento censurou-se, e um segundo depois voltou a si.
O som esgueirou-se por todo o ambiente, a luz feriu-lhe o olho, as pessoas voltaram a se agitar. Voltou viver isso tudo novamente, sentiu a brisa do ventilador atrás de si, mas essa já não soprava mais fresca.
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