terça-feira, 26 de junho de 2007

No dia em que a sintaxe não concordou

No dia em que a sintaxe não concordou. Ela acordou dislexa, trocando umas palavras tolas. Ela não sabia mais quem era e se confundia com a sua já majestada amiga comum. Tinham tanta concordância! mas agora se embaralhavam em alguns equívocos e desatinos. Não mais se reconheciam, talvez a dúvida ou um bloqueio de sinapses. Pra onde elas foram e que rumo tomaram? Será que seguirão o mesmo rio? E se diferentes, oxalá desaguem no mesmo mar, ao menos de prosa, primosa, formosa 'sintaxidade' novamente.
Volta sintaxe, desenrola, concorda. Pega essa tua forma. Forma, forma!

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Café


E na ansiedade de provar do melhor sabor, esperou toda uma safra; até que as minúsculas frutas alcançassem o bordô mais intenso e se transformassem, depois, num volumoso conteúdo preto-amarronzado. Esperou esse momento, da fruta ao volume, do volume ao sabor; esperou para segurar sua xícara fumegante, evaporando suas fumaças rodopiantes, até a iminência do primeiro gole. Salivaria gotinhas quentes e saborosas como forma de amor.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Cartaria

Toda carta deveria ser logo postada. Será que elas chegam às quartas? E o pior de tudo é que as quartas nunca chegam; se chegam, encontro empoeirada minha caixa metalizada recebedora de notícias. Mandei dizer para uma moça que não avissasse sobre elas, mas a minha ansiedade atropela qualquer carta em qualquer desses dias de meio-de-semana.

Um dia escrevi cartas, elas eram longas e em papéis azuis, eram tão mórficas! na sua concepção! Ainda as continuo escrevendo... mas elas nem chegam ao papel, são tão imaginárias, agora nos seus montes verde-azulados. Prefiro esperar! Todos esses dias.

Canso de esperar as moças ou moços em uniforme azul e amarelo tão bandeiroso de nossa pátria, trazendo ouros e céus. Eles vêm em zigue-zague entre os números da rua. Espero alcançarem o 77, mas param no 71. Seguem duas casas abandonadas, e a 75 só recebe correspondências no fim de cada mês - acredito que as contas. Aí, eles se vão...

Toda postagem deveria ser anunciada como de propósito. Será?

Eu espero.

Sempre quis ser carteiro.

terça-feira, 29 de maio de 2007

(DES{M[ANTE]-LO}!) entre parêntesis, chaves e cochetes...


Desses castelos que construo e desmantelo o tempo todo. Nem são de areia. Castelos tortos, mórficos, antologicos? Hã? Tão lógico! Esses castelos ora sem trilha, sem rio, sem ponte e sem porta - ora não. Colunas, lacunas, chanfruras, firulas. Sem base e com alicerce, seu reverso, ante-verso - com travessão - e atravesso. Esses castelos secos d'água e de verbos molhados, verborrágicos. Casteleira, costumeira... desmantelo, "remantelo". Interjeição é tão tão, senão exclamação? e interrogação!

sábado, 26 de maio de 2007

Entrada só para raros


E quando ouvi: "Todos vocês estão automaticamente em extinção, porque só existe cada um de vocês!". Me eternizei raro!

O anjo mais velho (TM)

"O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente"

Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
Enchendo a minh'alma d'aquilo que outrora eu deixei de acreditar

Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar

Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto... depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só

Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar

terça-feira, 17 de abril de 2007

Umas dessas marolas-marolas

vêm e vão
são marolas
intermitentes
obscuras e clarevidentes
vêm e vão
são obtusas
vêm e vão
marolando...
marolando...

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Nigrum borboletas

elas vão e vêm;
vão e vêm...
saem negras de suas crisálidas emarinhadas...
voltam noturnas...
elas vão e vêm...
[parecem bandos e cíclicas]
é tudo que se sabe!